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Gestão de PI

IA para documentos de propriedade intelectual: o que ela redige bem e onde o procurador decide

IA para documentos de propriedade intelectual redige a partir do processo e das colidências, mas erra em citação e em fato específico.

IA para documentos de propriedade intelectual é o uso de modelos de linguagem para redigir um primeiro rascunho de peças processuais (manifestações, recursos, oposições, notificações) a partir dos dados do processo e das colidências já identificadas na carteira. Ela reduz o trabalho de começar do zero, mas carrega um risco específico de textos jurídicos gerados por IA: a citação inventada, que soa correta e não existe.

Este guia explica o que a IA costuma fazer bem numa peça de propriedade industrial, onde ela erra com mais frequência, como validar as citações antes de assinar, quais tipos de peça fazem sentido para esse uso e como o sigilo dos dados do cliente entra nessa conta. O Docs com IA do MyPI redige nove tipos de peça a partir do processo e das colidências, com citações validadas antes de chegar ao procurador.

O que a IA faz bem em peças de PI

Um modelo de linguagem lida bem com a parte estrutural de uma peça: organizar os fatos do processo numa narrativa coerente, montar a fundamentação a partir de um roteiro conhecido (os requisitos legais de uma oposição, por exemplo) e produzir um texto com linguagem processual adequada, sem os erros de digitação ou de formatação que costumam acompanhar um rascunho feito às pressas.

Esse tipo de tarefa, que consome tempo mas não exige julgamento estratégico, é onde a IA entrega o maior ganho: transformar dados já conhecidos (o número do processo, a data da publicação, a colidência encontrada, o histórico do titular) num texto estruturado, deixando o procurador com um ponto de partida em vez de uma página em branco. O rascunho sai mais rápido, e o tempo do profissional se concentra em revisar e ajustar, não em redigir cada frase do zero.

Onde ela erra

O ponto fraco mais conhecido de um modelo de linguagem em texto jurídico é a citação inventada: um número de lei, um artigo, um julgado ou um precedente administrativo que parece plausível dentro do contexto da peça, mas que não existe ou diz algo diferente do que o texto afirma. O modelo não sabe que está errando, porque ele produz a citação pela plausibilidade do formato, não por ter consultado a fonte de fato.

O segundo erro comum é o fato do processo descrito de forma incorreta: uma data trocada, um número de processo com um dígito errado, um despacho atribuído à fase errada do exame. Esse tipo de erro costuma ser mais fácil de pegar do que a citação inventada, porque basta conferir contra o próprio processo, mas ainda assim exige que alguém faça essa conferência linha por linha antes do protocolo.

Nenhum dos dois erros é sinal de que a IA não serve para essa tarefa. É sinal de que o rascunho gerado precisa ser tratado como isso mesmo, um rascunho, e não como uma peça pronta para assinar sem revisão.

Como validar citações

Validar as citações de um texto redigido por IA antes de usá-lo segue, em linhas gerais, esta sequência:

  1. Isole cada citação do texto. Separe cada menção a lei, artigo, julgado ou precedente administrativo numa lista própria, antes de avaliar a peça como um todo.
  2. Confira o número exato contra a fonte. Um artigo de lei citado precisa bater com o texto real da norma, não só com o número aproximado que o modelo produziu.
  3. Verifique se o julgado ou o precedente existe. Um julgado citado por nome de tribunal e número de processo precisa existir de fato, e o teor dele precisa corresponder ao que a peça afirma que ele diz.
  4. Descarte o que não puder ser verificado. Uma citação que não é possível confirmar contra a fonte original não deveria permanecer na peça, mesmo que o restante do parágrafo esteja bem escrito e o argumento pareça sólido sem ela.
  5. Registre a fonte da citação validada. Manter a referência da fonte junto ao rascunho revisado facilita uma nova conferência, caso a peça precise ser ajustada antes do protocolo final.

Esse processo de validação não é um passo opcional que some com o tempo, à medida que o profissional confia mais na ferramenta. Ele é parte permanente do fluxo, porque o risco de citação inventada não desaparece com o uso repetido: ele só passa despercebido com mais facilidade quando a revisão se torna automática demais.

Quais peças fazem sentido para esse uso

Nem todo documento de um escritório de propriedade industrial se beneficia do mesmo jeito de um rascunho gerado por IA. Faz mais sentido para peças com estrutura conhecida, fundamentação previsível e dados que já existem no processo:

Peça Ponto de partida
Manifestação à oposição Processo e a oposição recebida
Manifestação ao PAN Processo e o pedido administrativo de nulidade recebido
Manifestação à caducidade Processo e o pedido de caducidade recebido
Recurso contra indeferimento Processo e o despacho de indeferimento
Contranotificação Notificação extrajudicial recebida
Oposição Processo próprio e a colidência encontrada na vigilância
PAN (processo administrativo de nulidade) Marca registrada de terceiro e a colidência que fundamenta o pedido
Caducidade Marca registrada de terceiro sem uso comprovado
Notificação extrajudicial Colidência encontrada e a marca protegida do cliente

Um tipo de documento fica fora dessa lista por decisão editorial: o cumprimento de exigência. A resposta a uma exigência de mérito costuma depender de uma análise técnica específica do exame feito pelo INPI, caso a caso, o que torna esse tipo de peça menos adequado para um rascunho gerado a partir de um roteiro genérico do que os nove tipos acima, todos com uma estrutura argumentativa mais previsível a partir dos dados do processo.

O custo de pular a revisão

Um rascunho gerado por IA que vai direto ao protocolo sem revisão troca um problema visível (a página em branco) por um problema invisível: um erro que só aparece depois, quando já é mais caro corrigir. Uma citação inventada, descoberta pelo examinador ou pela parte contrária em vez de pelo próprio escritório, custa mais do que o tempo que a revisão levaria: custa credibilidade da peça inteira perante quem a lê, mesmo que o restante do argumento esteja correto.

Esse custo não é exclusivo de peças redigidas por IA. Um rascunho humano também pode ter uma citação errada ou um fato mal descrito. A diferença é de escala e de padrão de erro: a IA tende a errar de um jeito específico (a citação que soa real e não é), e conhecer esse padrão é o que torna a revisão mais eficiente, porque quem revisa sabe exatamente onde concentrar a atenção.

Sigilo e LGPD

Redigir uma peça a partir de dados de um processo real significa expor, à ferramenta usada, informações do cliente: nome, número de processo, histórico da marca, eventualmente detalhes de uma disputa em curso. Esse tratamento de dados pessoais segue as mesmas obrigações que qualquer outro tratamento feito pelo escritório, incluindo base legal, segurança da informação e respeito aos direitos dos titulares.

Antes de adotar uma ferramenta de IA para redigir peças, vale perguntar ao fornecedor como os dados enviados são tratados, se são usados para treinar outros modelos além do que atende o próprio cliente e se há controle de acesso por usuário dentro do sistema. Um guia completo sobre as obrigações da LGPD para escritórios de advocacia e de PI está em LGPD para escritórios de advocacia e de propriedade industrial.

Fluxo de revisão

Um rascunho gerado por IA nasce, por definição, como rascunho pendente de revisão, nunca como peça pronta. Isso exige um fluxo formal: alguém redige (ou aciona a geração pela IA), submete para revisão, um segundo profissional revisa e comenta, e só depois da aprovação a peça segue para protocolo. Tratar essa revisão como etapa obrigatória, e não como um combinado informal que depende de lembrança, é o que evita que um rascunho com citação inventada chegue ao protocolo sem ninguém ter conferido.

O detalhamento de como montar esse fluxo, com etapas, dono de cada etapa e um vínculo com o prazo do processo, está em fluxo de revisão de peças que não mora no WhatsApp.

Como o MyPI ajuda

O Docs com IA do MyPI redige nove tipos de peça (manifestação à oposição, manifestação ao PAN, manifestação à caducidade, recurso contra indeferimento, contranotificação, oposição, PAN, caducidade e notificação extrajudicial) a partir do processo e das colidências já identificadas na carteira, com as citações usadas no texto passando por validação antes de chegar ao procurador.

O sistema não redige cumprimento de exigência, e o rascunho entregue não substitui a decisão do procurador: ele reduz o trabalho de montar a estrutura da peça, deixando a leitura final, a conferência dos fatos e a decisão sobre a estratégia com o profissional responsável pelo processo. Um panorama de como esse apoio à redação se encaixa no restante da rotina de um escritório de PI, da vigilância ao peticionamento, está em software para escritório de marcas e patentes.

Para começar a peça a partir do processo e da colidência, com citações validadas antes da revisão, conheça o MyPI.


Do artigo para a prática

O Docs com IA do MyPI redige nove tipos de peça a partir do processo e das colidências, com citações validadas.

Perguntas frequentes

A IA redige uma petição de PI pronta para protocolar?

Não sem revisão. A IA entrega um primeiro rascunho estruturado, com os fundamentos organizados a partir do processo e das colidências encontradas, mas o texto precisa passar por revisão do procurador antes do protocolo, porque a decisão sobre estratégia e a conferência dos fatos e das citações continuam sendo dele.

Qual é o erro mais comum da IA em peças jurídicas de PI?

Citação inventada: um julgado, um artigo de lei ou um precedente administrativo que soa plausível, mas não existe ou não diz o que o texto afirma. O segundo erro comum é um fato do processo descrito de forma incorreta, como uma data ou um número trocado.

Como validar as citações de um texto redigido por IA?

Conferindo cada citação contra a fonte original antes de usá-la: o número exato da lei e do artigo, o teor do julgado citado, a existência do precedente administrativo mencionado. Uma citação que não pode ser verificada não deveria entrar na peça, mesmo que o texto ao redor esteja bem escrito.

Quais tipos de peça a IA redige no MyPI?

Nove tipos: manifestação à oposição, manifestação ao PAN, manifestação à caducidade, recurso contra indeferimento, contranotificação, oposição, PAN (processo administrativo de nulidade), caducidade e notificação extrajudicial. Cumprimento de exigência não está entre eles.

Documentos de clientes usados para treinar a IA violam a LGPD?

O tratamento de dados pessoais de clientes por qualquer ferramenta do escritório, incluindo uma que usa IA, precisa seguir a LGPD: base legal para o tratamento, segurança da informação e respeito aos direitos dos titulares. Vale conferir a postura de proteção de dados do fornecedor antes de usar uma ferramenta de IA com dados de processos reais.

IA para documentos de propriedade intelectualIA para petições INPI
TB
Thiago Batista
Sócio-fundador do MyPI · Especialista em Propriedade Industrial

Thiago Batista é sócio-fundador do MyPI e especialista em propriedade industrial. Acompanha de perto a rotina dos escritórios de PI no Brasil (busca de anterioridade, leitura da RPI, controle de prazos e análise de colidência) e escreve sobre como aplicar tecnologia a esse fluxo de trabalho.

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