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Rotina solo

Como não perder um prazo do INPI trabalhando sem equipe

O prazo do INPI não perdoa semana cheia. Um método em quatro camadas para quem confere tudo sozinho, e o que automatizar primeiro.

Quem trabalha sozinho não perde prazo por desorganização. Perde porque todo controle que depende de uma única pessoa falha exatamente na semana em que essa pessoa está em audiência, doente ou de férias, e a RPI sai toda semana, com ou sem você.

O ponto único de falha

Num escritório com equipe, o prazo passa por dois ou três pares de olhos antes de virar problema. No profissional solo, a cadeia inteira, ler a revista, identificar o despacho, classificar, contar o prazo, agendar e cumprir, mora na mesma cabeça. Não há redundância.

O erro clássico não é esquecer um prazo anotado. É o despacho que nunca chegou a ser anotado: saiu na RPI numa semana cheia, a leitura ficou para depois, e “depois” já era exigência vencida. O risco não está na agenda; está na porta de entrada.

A contagem que engana

Mesmo quando o despacho é visto, a contagem tem armadilhas próprias:

  • O prazo depende do código do despacho. Exigência formal, exigência de mérito, oposição e recurso abrem janelas diferentes: cada código tem prazo próprio.
  • A contagem parte da publicação na RPI, não do dia em que você viu o andamento.
  • Os prazos correm em dias corridos. Quando o vencimento cai em dia sem expediente no INPI, prorroga para o dia útil seguinte, e os feriados do INPI não estão no calendário do seu celular nem na planilha herdada.

Uma contagem ingênua erra por dias. Quem conta em dias úteis chega a uma data posterior à real, e a peça “no prazo” da planilha já venceu no INPI.

O método em quatro camadas

A saída não é disciplina heroica: é montar redundância que não dependa de segunda pessoa. Quatro camadas, da base ao topo:

  1. Uma fonte única. Carteira inteira, clientes e processos, num lugar só. Prazo espalhado entre e-mail, papel e planilha é prazo sem dono.
  2. O prazo nasce com o despacho. A data fatal deve ser calculada no momento em que o andamento entra, não numa sessão de planilha no fim da semana. O que é manual acumula; o que acumula atrasa.
  3. Aviso escalonado. Um lembrete só, na véspera, não serve para peça que exige redação. Escalone: na chegada, a duas semanas, a três dias.
  4. Revisão semanal fixa. Um horário por semana para varrer o que está aberto, não para descobrir prazos, mas para conferir que nenhum ficou sem próximo passo.

O que automatizar primeiro

Se a rotina inteira não cabe no orçamento de tempo, comece pelo que elimina o risco de porta de entrada, o despacho não visto, e só depois refine o resto.

Prioridade de automação para quem é o escritório inteiro

  • Associação RPI → carteira. A revista conferida contra os seus processos toda semana, sem você abrir.
  • Cálculo do prazo por código. Dias corridos contados da publicação, com a prorrogação do vencimento por feriado nacional e do INPI já aplicada.
  • Renovações pela LPI. Decênio e anuidade com janela ordinária e extraordinária no radar, com meses de antecedência.
  • Status para o cliente. Um portal que responde “como está meu processo?” antes de virar ligação no meio do seu prazo.

Em resumo

Trabalhar sozinho não é o problema, trabalhar sem redundância é. Concentre a carteira numa fonte única, faça o prazo nascer junto com o despacho, escalone os avisos e mantenha uma revisão semanal. O que a segunda pessoa faria por você, o sistema faz: confere a revista toda semana, inclusive nas suas piores semanas.


Do artigo para a prática

O monitoramento de despachos do MyPI calcula o prazo fatal de cada publicação pela regra da LPI, com o prazo interno em dias úteis e feriados do INPI.

A solução para advogados autônomos organiza a rotina inteira de quem atende sem equipe.

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TB
Thiago Batista
Sócio-fundador do MyPI · Especialista em Propriedade Industrial

Thiago Batista é sócio-fundador do MyPI e especialista em propriedade industrial. Acompanha de perto a rotina dos escritórios de PI no Brasil (busca de anterioridade, leitura da RPI, controle de prazos e análise de colidência) e escreve sobre como aplicar tecnologia a esse fluxo de trabalho.

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